Síndrome da Asfixia Perinatal

A Síndrome da Asfixia Perinatal, também conhecida como Síndrome do mal ajustamento neonatal ou potros “Dummies” (Tontos) é caracterizada por causar múltiplas alterações no organismo dos potros, principalmente alterações neurológicas. É uma síndrome de grande importância, pois é a maior causa de mortalidade de potros com até 72 horas de vida.

16 de junho de 2017

 

 

Essa enfermidade é ocasionada por vários fatores, como o próprio nome já diz, porém o de maior acometimento é por falta de oxigenação celular como a asfixia (Em que a troca de gases placentários ou pulmonar estarão comprometidos), que pode resultar em hipoxemia (Ausência parcial ou total de oxigenação no sangue ou cérebro) e isquemia (Interrupção ou redução do fluxo sanguíneo para um órgão). A hipóxia fetal também está associada à separação prematura da placenta, placentite, edema placentário, gestações gemelares, distocia (Dificuldade do parto), partos induzidos, cesáreas e “potros manchados com mecônio”.

 

Quando se tem baixa disponibilidade de oxigênio, o feto vai diminuir seu consumo e também a sua taxa de crescimento, dessa forma vai apresentar um retardo de crescimento intrauterino, apresentando atrofia corporal e cabeça demasiadamente grande sendo desproporcional, além de não possuir gordura corporal e apresentar pouca massa muscular. Os partos distócicos geram hipóxia causada por compressão do cordão umbilical ou traumas torácicos que vão gerar danos ao coração e pulmões. A cesárea prejudica a perfusão placentária, pois a anestesia causa uma hipotensão na égua. Potros manchados com mecônio podem apresentar problemas respiratórios, pois o estresse fetal e a hipóxia in útero gera um relaxamento do esfíncter e hiperperistaltismo, ocorrendo à liberação do mecônio (Fezes), fazendo com que este seja aspirado pelo feto. As gestações gemelares (Gêmeos) estão intimamente ligadas a insuficiência placentária e também ao retardo do crescimento fetal. Patologias maternas como hipoproteinemia e anemia podem causar também a síndrome, gerando hipóxia, pois o aporte uteroplacentário estará prejudicado.

 

Os sinais clínicos vão depender da gravidade da doença e também da duração ou recidivas da associação de hipoxemia e isquemia. Os animais podem apresentar sinais clínicos sistêmicos, pois todos os órgãos podem estar envolvidos como sistema nervoso central, rins, sistema gastrointestinal, cardiovascular, pulmonar e fígado. Os potros ou os neonatos podem apresentar como sinais clínicos neurológicos convulsões, hiperexcitabilidade, tremores, em animais afetados de forma moderada podem apresentar letargia, sonolência, podem ter disfagia, bruxismo, cegueira central, midríase (Dilatação da pupila), nistagmo (Oscilações rítmicas e repetidas dos olhos), perda de reflexo de sucção, movimentos de pedalagem, rigidez de extensores com crises eplépticas e estupor. Os rins quando acometidos apresentam sinais de oligúria e anúria (Diminuição e ausência de urina, repectivamente). No sistema gastrointestinal o animal pode apresentar falha na absorção de colostro, dismotilidade, estenose ou intussuscepção, indigestão moderada, colite ou enterite hemorrágica. No sistema cardíaco podem ocorrer arritmias secundárias, colapso cardiovascular resultando em choque, no pulmão pode apresentar pneumonia química, atelectasia pulmonar secundária, obstrução parcial das vias aéreas. No fígado pode haver hepatite moderada a severa.

 

 

O diagnóstico é feito através do histórico do animal, exame clínico, exame laboratorial como hemograma e bioquímico, além de exames complementares. No bioquímico verifica-se que animal apresenta acidose metabólica, com pH abaixo de 7,3 e concentrações séricas de bicarbonato abaixo do normal e também aumento de creatinina. Como exame complementar, pode ser realizada ultrassonografia transabdominal e ressonância magnética em hospitais de referência.

 

O tratamento vai depender dos sinais clínicos. Como tratamento para o controle das convulsões, deve ser feito o uso de anticonvulsivantes específicos, fluidoterapia para dar suporte cerebral e corrigir desequilíbrios metabólicos como o aumento ou diminuição de glicose, cloro e cálcio.

 

Deve ser feita a manutenção dos gases sanguíneos com oxigenação intranasal associado com ventilação mecânica e antibioticoterapia para tratar infecções secundárias. Além de sempre deixar o animal em local seco, limpo com temperatura adequada e também em decúbito esternal para não comprometer a respiração do mesmo. Porém, o melhor tratamento é o acompanhamento da gestação até o parto, sempre verificando a saúde do potro e da égua a fim de evitar que os animais sofram tal síndrome, evitando perdas futuras.

 

Texto por: Maria Eugênia De A. Schiavoni, 7º Termo no Unisalesiano de Araçatuba-SP

 

Fonte e referências: Informativo Equestre

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