Doenças respiratórias e pulmonares

Causas e tratamentos

14 de dezembro de 2018

O Cavalo é um animal que nasceu para se exercitar. Movimentar dá prazer a ele. No entanto, para executar tais movimentos, esses animais precisam do bom funcionamento do aparelho respiratório e conseguir inspirar grandes volumes de ar para suprir suas necessidades de oxigênio durante o exercício.

Essa troca de ar aliada ao meio externo, em grandes volumes, expõe as vias aéreas do animal a inalação de substâncias como poeira, fungos, bactérias e vírus. Levando os cavalos a apresentarem enfermidades respiratórias por diversas causas.

As doenças mais comuns em cavalos jovens são de causas infectocontagiosas, acometendo, principalmente, o trato respiratório superior. Entre elas estão a gripe provocada pelos vírus influenza e a herpes que causa a rinopneumonite. Porém, só o tipo quatro desta última é responsável pela doença na forma respiratória.

Outra enfermidade é o garrotilho causado pela bactéria Streptococcus equi. Essas afecções podem ser adquiridas quando um animal saudável entra em contato com um cavalo doente, pela introdução de um novo animal na propriedade ou mesmo em aglomerações como rodeios, exposições e competições.

O diagnóstico é feito pelo exame clínico e seu histórico como vacinas, medicações, origem e viagens. O tratamento é basicamente sintomático, ou quando indicado, deve-se fazer o uso de antibióticos.

Pneumonia

Quando a terapia não faz efeito, o perigo é a evolução para pneumonia ou pleuropneumonia. O aparelho respiratório inferior é afetado causando febre, indisposição, perda de apetite e emagrecimento do animal. O médico veterinário deverá ser consultado, com urgência, para determinar a melhor forma de tratamento, o que pode variar conforme a gravidade da doença.

Em geral, o cavalo com pneumonia precisa de repouso, antibiótico, hidratação, analgésicos e antitérmicos. Em alguns casos é indicado uma ultrassonografia do tórax para prescrição de drenagem torácica.

Alergia e Asma

Outras enfermidades do aparelho respiratório inferior incluem as enfermidades alérgicas como a asma leve, moderada ou grave.

A asma leve afeta cavalos atletas jovens, com até sete anos de idade. Porém, cavalos mais velhos, também, podem ser acometidos do mal. Já a asma grave é quase exclusiva de cavalos, ainda, mais velhos. Isso acontece porque os cavalos são expostos durante um longo período de suas vidas a ambientes fechados como cocheiras, normalmente, em cama de serragem ou sepilho.

Nos materiais das camas e na poeira existente no feno, encontram-se partículas que são inaladas e podem gerar processos inflamatórios e alérgicos.

Um agravante nestes ambientes é a falta de ventilação. A poeira se acumula pela falta da renovação adequada do ar.

Outro fator que influencia a irritação das vias aéreas dos cavalos é o odor de de urina, que contém amônia, impregnado nas camas que não recebem a limpeza eficiente.

Um fato interessante é que a alimentação, também, pode favorecer o desenvolvimento da asma nos cavalos. Uma vez que a maioria dos alimentos são secos, como a ração e o feno, podem acumular poeira e se mal armazenados são perfeitos para a proliferação de fungos e bactérias. E inalados pelos cavalos quando se alimentam.

O diagnóstico da asma é feito baseado no histórico do animal, assim como na idade, nos sinais clínicos, especialmente, a tosse com ausência de febre, queda do rendimento, cansaço, intolerância ao exercício e pode ser amparado por exames complementares como endoscopia respiratória e coleta de amostra para avaliação. O tratamento deve envolver manejo ambiental, com a soltura do animal a pasto, e quando isso não for possível deve-se fazer frequente limpeza das cocheiras, e o umedecimento da cama e do feno, antes de ser servido.

 

* Por Professor Titular da Escola de Ciências da Vida, Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Pedro Vicente Michelotto Jr.

E as doutorandas orientadas por ele: Fernanda Mendes Barussi e Fernanda Zettel Bastos.

Foto de capa: Kiko Catelli
Redação: Aline Perucci/ ABCCMM

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