Claudia Leschonski

Claudia Leschonski

Horse Brasil - Bem-estar Animal

Horse Brasil - Bem-Estar Animal

11 de maio de 2016

- Claudia Leschonski

Caro amigo, querida amiga,

É com muita alegria que aceito o convite da equipe Horse Brasil para este novo projeto. Acredito no poder da palavra escrita, como instrumento de preservar e transmitir conhecimentos. O início de minha carreira junto à comunidade equestre se deu como colaboradora de revistas. Se a imagem transmite a ideia, as palavras consolidam a compreensão, e juntos eles convidam à experiência. Muito antes da televisão e da internet, um grande mestre da equitação já disse: “É impossível aprender sobre cavalos lendo livros. Mas também é impossível aprender sobre cavalos sem ler livros.” Ou seja, estes textos também querem convidar você a passar mais tempo com os seus cavalos. Assim:

 

1.    Leia um texto sobre cavalos (por exemplo, este aqui)
2.    Inspire-se
3.    Desligue o computador, largue o celular (SIM! É possível)
4.    Vá passar tempo com o seu cavalo.

 

Os cavalos não têm a mínima ideia do que seja a internet (nem mesmo os meus, os quais eu considero representantes bastante esclarecidos do gênero Equus); por isso, eles são um excelente antídoto para a epidemia de sedentarismo e virtualismo que vem assolando  a nossa espécie (Homo sapiens var. ciberneticus). Perceba que eu não escrevi “vá montar”, e sim “vá passar tempo com o seu cavalo”. E isto nos leva, com suavidade de marcha, elegância de adestramento e velocidade de galope, ao tema desta coluna: o bem-estar dos cavalos pelos quais somos responsáveis.

 

Afinal, o que significa bem-estar dos cavalos que utilizamos seja para esporte, lazer ou trabalho? Até que ponto nossa agenda de metas e objetivos coincide com a deles? Se o seu cavalo pudesse escolher o que fazer, o que ele escolheria?

 

Pois esta é a mensagem central de hoje: o seu cavalo não tem escolha. Todas as espécies de animais domesticadas pelo homem compartilham desta sina: abriram mão do livre arbítrio para se sujeitarem às nossas vontades, em troca de (ao menos em tese) abrigo, alimento e segurança. Nós humanos que nos dizemos racionais e estudamos história sabemos que foi assim. Os cavalos pelos quais somos responsáveis e que vivem no aqui e agora não têm a mínima ideia disso. O que cada cavalo sabe é que é um cavalo, e como tal tem três prioridades básicas:

 

1.    Conviver com outros cavalos
2.    Ingerir volumoso (pasto) à vontade
3.    Permanecer em movimento, se alimentando, procurando alimento, e fugindo de perigos reais ou imaginários

 

Estas são as características etológicas (= comportamentais) fundamentais do Equus caballus domesticus. Em futuros artigos falaremos delas em mais profundidade. Mas por hoje, eu gostaria que você, leitor, pensasse na grande responsabilidade que tomamos para nós quando declaramos que “este animal é meu”. Ele depende de você para comer e beber. Você decide quando ele vai para a cocheira e quando vai para o pasto. Você resolve quando e de que maneira ele vai se exercitar. Você decide se o cavalo vai receber ferraduras ou não, se vai viajar para competições ou não, quanto vai comer de ração, e assim por diante. Ainda bem que você gosta dele, já pensou se não gostasse?

 

Pois é, fizemos dos animais nossos escravos. E por isso deveríamos nos tornar escravos do bem-estar deles – especialmente daqueles que dizemos amar. Do contrário não faria sentido, não é mesmo?

 

Mas o que é mesmo bem-estar para um cavalo?

Semana que vem falamos mais a respeito!

 

Abraços,

Claudia Leschonski, MV