Roberto Arruda

Roberto Arruda

Reconhecendo a dimensão da equinocultura

Reconhecendo a dimensão da equinocultura

23 de maio de 2016

- Roberto Arruda

                                              Reconhecendo a dimensão da equinocultura
Gilberto Freyre, autor de importantes obras como Casa-Grande & Senzala, foi preciso no diagnóstico que desde o Brasil Colônia o cavalo é visto como o animal a serviço da elite.

Na época, quem possuía cavalo era o senhor de engenho, enquanto o boi era associado ao trabalho, ao escravo. Muitas mudanças ocorreram, mas esta visão ainda persiste e precisa ser atualizada, revista. Para aqueles presos ao longínquo passado, justifica-se tratamento diferenciado ao gado bovino, que tem, por exemplo, bem maior oferta de linhas de crédito subsidiadas.

Já o criador de cavalos se depara com raras oportunidades de crédito e, muitas vezes, recebe inclusive tratamento fiscal mais rigoroso, pois ainda é visto como de elite, associado a um exclusivo hobby. Mas a realidade é outra: a equinocultura possui elevado valor econômico e grande importância social.

O resto do mundo tem essa consciência. Nos Estados Unidos, onde emprega 1,4 milhões de pessoas e gera anualmente US$ 39 bilhões (se considerados os impactos indiretos, a renda gerada atinge US$ 102 bilhões anuais), o proprietário ou criador de cavalo recebe o tratamento proporcional à sua contribuição.

No Brasil, são mais de 16 bilhões de reais gerados anualmente e mais de 600 mil empregos diretos. Divulgar massivamente essa informação e demais dados econômicos é urgente para quebrar a antiga imagem do setor descrita por Gilberto Freyre.

O cavalo contribui intensamente para o desenvolvimento econômico brasileiro e merece esse reconhecimento. Isto significa crédito em condição de igualdade com as demais atividades pecuárias, tributos compatíveis com atividade rural (e não de hobby) e olhar político mais zeloso, inclusive referente à sanidade animal.