Roberto Arruda

Roberto Arruda

Reconhecendo a dimensão da equinocultura

Incomparáveis 16 bilhões da equinocultura

09 de junho de 2016

- Roberto Arruda

                                            Incomparáveis 16 bilhões da equinocultura

Ninguém duvida que há muita mentira divulgada na internet, mas mesmo assim muitas vezes somos induzidos pela boa fé em acreditar em notícias falsas. Recentemente houve um grande compartilhamento de falsa notícia que a equinocultura cresce 12% ao ano no Brasil. Seria uma ótima notícia, talvez por este motivo, muitos nem questionaram a origem dos dados ou mesmo se estes existiam. Pior do que isso, pessoas que originaram esse boato, mesmo depois de alertadas, não se preocuparam em repara o erro. Mas o que há de verdade e onde está a mentira nesse boato?

A parte verdadeira é que houve uma estimativa do PIB da equinocultura, como muitos acompanharam no 1º Congresso Virtual Internacional Horse Brasil Channel e posteriormente em publicação da Câmara de Equideocultura do Ministério da Agricultura (disponível no site para os interessados). O valor do PIB estimado está correto: foi mesmo de expressivos R$ 16 bilhões.

O problema, e falsidade do boato, é que esse valor não é comparável com nenhuma outra estimativa, pois foi realizada pela primeira vez. Houve um valor estimado em 2006, em outro trabalho (para CNA), que pode ter gerado confusão com a atual estimativa.Mas a apuração de 2006 seguiu metodologia diferente e não mediu o PIB, mas a movimentação financeira, algo próximo do Valor Bruto de Produção, o que não permite a comparação direta entre os dois trabalhos citados. Adicionalmente, crescimento de 12% ao ano é fora da realidade.Mesmo que fosse possível a comparação, o cálculo do crescimento médio anual não pode ser feito de forma linear, mas pela média geométrica (o crescimento de um ano acumula como juros compostos). Adicionalmente, como costuma ocorrer nas falsas notícias, os créditos das informações não estão precisos.

A equinocultura brasileira, com seu valor bilionário, merece ser tratada com mais respeito. É preciso estudar, pesquisar e divulgar os resultados, mas apenas os verdadeiros, sem desserviço à equinocultura, sem prejudicar quem trabalha com seriedade.