Roberto Arruda

Roberto Arruda

Reconhecendo a dimensão da equinocultura

Responsabilidade com Bem-estar

28 de setembro de 2016

- Roberto Arruda

 

A pecuária representa 30% do agronegócio no Brasil respondendo por cerca de 400 bilhões de Reais por ano. Em 2015, exportamos quase 6 bilhões de dólares em carne bovina. 14% da produção de carne mundial ocorre no Brasil. O território brasileiro possui aproximadamente 170 milhões de hectares cobertos com pastagens. É inquestionável a importância da pecuária brasileira e das atividades que nela ocorrem, entre elas o manejo do gado, em geral realizado com auxílio de cavalos.

 

As diversas competições equestres são simulações de situações do dia a dia de trabalho no campo que sustenta os números apresentados no parágrafo anterior. Assim, há provas que reproduzem a apartação do gado, a laçada de animais, entre outras. Mas essa simulação ocorre em ambiente controlado. Ao contrário da situação enfrentada pelos peões na rotina diária, no ambiente onde são realizadas as competições não há valas, vegetação cerrada e outras ameaças e riscos aos animais. Também os equipamentos são diferentes. Por exemplo, o material e flexibilidade do laço é cuidadosamente regulamentado, enquanto que no campo não há restrições a material.

 

Em tempos recentes, têm surgido questionamentos sobre o bem estar animal nas provas equestres, inclusive com pedidos para suspensão ou proibição de tais competições. Entretanto, tais processos não costumam ser tecnicamente embasados. A avaliação correta das provas deve considerar se a competição agrava a situação do animal. Situações de estresse fazem parte do dia a dia de qualquer animal. Caso não houvesse qualquer estresse, por que o animal iria se movimentar, buscar água ou pastejar? Seria um animal sedentário.

 

Caso prevalecesse a versão de que as provas equestres, que são repito, simulações de atividades do dia a dia da pecuária, são contrárias ao bem estar, o que dizer do que ocorre no campo? Se laçar ou apartar um animal em um ambiente controlado e regulamentado for algo a ser proibido, a atividade pecuária no campo (com os riscos adicionais citados no início deste texto) também, com mais motivo, deveriam ser condenadas. E o impacto para pecuária, economia do Brasil e alimentação do mundo seria fortemente negativo.

 

Sem dúvida preocupação com bem estar deve ser prioritária, mas não pode ser uma bandeira emocional, sem fundamento técnico. Caso contrário, proibição de atividades como laço e apartação (esportiva ou não, pois uma implica na outra) aproxima-se perigosamente de irresponsabilidade econômica, social e de segurança alimentar.  

 

Roberto Arruda de Souza Lima
Coordenador do Curso de Engª Agronômica
Departamento de Economia, Administração e Sociologia
ESALQ/USP