Flavia Geantomasse

Flavia Geantomasse

Os Sentidos - Parte 02

30 de maio de 2016

- Flavia Geantomasse

No texto anterior descrevemos as inúmeras possibilidades sensoriais que a equoterapia possibilita a seu praticante.Falamos sobre os sentidos auditivos, visuais,olfativos, táteis e o oral.

Em 2015 realizei um curso de Integração Sensorial, onde ampliei o conceito sensorial incluindo o sistema vestibulare o proprioceptivo.A integração sensorial é o processo do cérebro para organizar e interpretar os estímulos externos como o movimento, o toque, o cheiro, o olhar e o som, e a equoterapia é um disparador natural e indireto destes estímulos, o que torna a terapia muito mais gostosa, além de eficiente.

O sistema vestibular é o que nos organiza no espaço, ou seja, ele é responsável pela nossa postura e nossas mudanças posturais no mundo, o movimento. Ele está situado no ouvido interno e é responsável pelas reações ao movimento e equilíbrio.

Durante a montaria o cavalo proporciona ao cavaleiro / praticante o movimento tridimensional, movimento semelhante ao andar humano. Estamos falando de um ambiente aberto, interativo que possibilita, a todo momento, reações a mudanças posturais, força muscular e equilíbrio. Uma simples reação do cavalo ao olhar um passarinho no ambiente estimula todo um rearranjo postural entre cavalo e cavaleiro. Dentro dos objetivos terapêuticos o terapeuta vai estimular e direcionar movimentos do cavalo, sempre coordenados com um animal muito bem treinado e um equitador capacitado, para alcançar as respostas adaptativas de seu praticante. O volteio terapêutico é outra modalidade que amplia a variação de estímulos mesmo com o cavalo parado.

A propriocepção é o sentido da "posição",como o cérebro interpreta a posição do corpo, peso, pressão, alongamento, movimentos e alterações na posição. A capacidade de perceber espacialmente, cada segmento corporal em particular ou o corpo como um todo, tanto em situações estáticas, como nas atividades que demandam movimento (dinâmicas).

cavalo atua como instrumento cinesioterapêutico muito valioso, devido às inúmeras oportunidades de ações que oferece ao praticante sobre seu dorso, tais como: mudanças no ritmo e direção do cavalo, movimentos de aceleração e desaceleração do passo, alterações de postura sobre o cavalo, transição de postura com o cavalo em movimento, diferentes posicionamentos dos estribos ou a não utilização dos mesmos, entre outros (MEREGILLANO, 2004).

Sendo assim, a equoterapia por meio do movimento tridimensional realizado pelo cavalo proporciona inputs sensório-motores que influenciam adequadamente no processamento sensorial e neuromotor, refletindo no equilíbrio, postura, força e coordenação sensório-motora; pois ocorrem inúmeros estímulos ao sistema vestibular e proprioceptivo, devido ao constante deslocamento do centro de gravidade, dissociação escapular e pélvica, mudanças no campo visual, estímulos táteis e olfativos (BENDA; McGIBBON; GRANT, 2003; MEREGILLANO, 2004).

Quando a terapia é bem sucedida, ela pode desenvolver a atenção, concentração, audição, compreensão, equilíbrio, coordenação e o controle da impulsividade nos praticantes. Além de, literalmente, estabelecer o nosso lugar no mundo!