Flavia Geantomasse

Flavia Geantomasse

O psicólogo atuando na equoterapia

21 de julho de 2016

- Flavia Geantomasse

                                                                                               O psicólogo atuando na equoterapia
Ao se pensar em uma relação psicoterapêutica a imagem associada comumente é a do diálogo entre psicólogo e paciente e um divã. Ao imaginarmos este trabalho na equoterapia, onde o cavalo compõe este diálogo, definitivamente não seria a melhor abordagem utilizar o cavalo como um divã ambulante. A psicóloga do nosso centro Mirella D’Amore descreve em seu texto, como se constróiuma conduta terapêutica e também um processo terapêutico com o praticante, respeitando todos os envolvidos; praticante, cavalo e psicólogo. Segue abaixo seu texto na íntegra:

Percebemos, ao longo da história da psicologia, em todo o seu processo de consolidação de métodos e práticas, uma grande necessidade de constante transformação. Isso, provavelmente acontece, pois o homem, objeto de estudo da psicologia, também o está, e a ciência, para conseguir dar conta de perguntas e respostas, com a finalidade de construir práticas que sustentem ou consigam preencher as necessidades humanas, em um determinado contexto social e cultural, precisa caminhar junto e se transformar também.

Sabemos que a psicologia se encontra em diversos lugares, dentro de escolas, nos hospitais, nas empresas, instituições sociais e em contextos mais abertos como nos esportes e nas artes, além de existir dentro de um contexto de consultórios e clínicas. Vemos os profissionais atuarem em campos diferenciados e abertos, caminhando junto com as mudanças e com as necessidades da humanidade.

Um dos caminhos, já bastante divulgado, porém pouco conhecido, em que a psicologia, juntamente com outros profissionais da saúde, vem ganhando cada vez mais espaço, é a prática da Equoterapia. Através de um universo eqüestre, com um ambiente rico de estímulos e atividades, o Psicólogo consegue se deparar com um contexto diferenciado e cheio de conteúdo humano em que sentimentos, emoções, pensamentos e sensações estão, em todo momento, se desenvolvendo e se transformando.

Não podia ser diferente, já que um dos protagonistas desse novo ambiente é o Cavalo. Um animal de extremo encanto que fascina, cativando todos os olhares, e provocando diferentes sensações, levando a pessoa a experimentar sentimentos e emoções intensas.

O cavalo, em sua simbologia, carrega a representação física da força, da elegância, da beleza e, uma imagem significativa do poder, da cura, da transformação e da sexualidade. A energia dos animais é experimentada pelo homem sob as mais diversas formas e significados, levando o indivíduo a entrar em contato com seu animal interior, sua criatividade e sua intuição, podendo, assim, ampliar o entendimento de sua relação com o mundo e consigo.

Segundo Carl G. Jung, o cavalo expressa o lado mágico do homem, “a mãe em nós”, é um arquétipo amplamente presente na mitologia e no folclore. Representa a psique não humana e designa força vital animal do homem, enquanto animal de carga e, está relacionado com o arquétipo da mãe (aquela que gera, nutre, procriadora passiva). Simboliza a magia, com a esfera irracional, principalmente os cavalos pretos (os cavalos da noite), que anunciam a morte.

O Cavalo apresenta uma carga simbólica com diversas possibilidades de representações de nível consciente e inconsciente, já que o mesmo sempre esteve presente na história e na evolução do homem. Nessa relação tão antiga, dotada de conteúdos importantes, o cavalo passou a inspirar o homem seja na arte, na mitologia, entre outras, passando a fazer parte de suas fantasias e de seus sonhos.

“…ao montar o cavalo, o homem realizou muito mais do que um simples gesto, ele estabeleceu um símbolo de domínio sobre toda a criação.” (J. Bronowski)
Mirella D’Amore

Psicóloga Clínica e Equoterapeuta
CRP: 06/73575